em homenagem às bruxas de Salem
Esse não é mais um texto sobre mudança, talvez sobre as suas formas.
Tenho observado a vida de pessoas ao meu redor, os erros e acertos, as tentativas e dúvidas, as decisões, desistências e os caminhos a que tudo isso leva, mas falo particularmente sobre o último mês. Caídas algumas fichas, percebo claramente o quanto é importante entender o conceito dos ciclos em nossas vidas, antes não dava muita importância a isso mas hoje acredito nessas fases, como níveis de um jogo. Já sabemos que existem várias etapas durante uma vida; do início ao fim do casamento, o período do estágio fora do país, a adolescência, o tempo de se acostumar com a perda de alguém que amamos, ou até coisas mais sutis como o longo período sendo quem somos até o dia em que vemos que alguma coisa ou situação já ficou ultrapassada pra nós, não pertence mais. Mas o mais importante não é saber que os ciclos existem e sim quando chegam ao fim — o ponto de mutação; o momento em que acordamos com uma nova visão da realidade e não podemos mais ficar onde estamos. O que era agradável já não é tanto, o que era satisfatório torna-se pouco, o que era afinidade vira estranheza, precisamos de mais. Se ficarmos atentos dá pra perceber que tem algo fora do lugar, sentimos aquele incômodo por estar vivendo no que já foi, uma sensação de que tem alguma coisa errada — é nosso 'sentido aranha' dizendo que é hora de pular fora, soltar a corda, sem pestanejar, mesmo sem saber o que vem depois, pois os ciclos se fecham, com ou sem nosso consentimento, e se perdemos o momento do salto paramos no tempo, até que a vida nos chute pra fora algum dia, de forma nada agradável na maioria das vezes, e só depois de tomar o pé-na-bunda é que temos as clássicas sacadas tardias de tudo o que poderíamos ter feito e não fizemos. Talvez seja importante digerir a mudança antes de pular fora do que já virou passado pra nós, mas permanecer muito tempo começa a fazer mal; ficamos atrasados, velhos, empoeirados e estáticos, como bons livros em uma biblioteca abandonada, presos a um tempo que passou numa antiga realidade; um lugar sem cor, sem cheiro e sem vida. Ficamos pesados, sentindo falta da leveza que só o novo pode proporcionar.
Só escrevi isso pra falar da importância de ir embora na hora certa, sacar o momento do salto, pois às vezes essa hora passa por nós e vai embora sem percebermos, e numa dessas podemos deixar boas oportunidades pra trás e depois desperdiçar um tempo enorme correndo atrás do 'momento perdido'. Melhor se lançar no escuro, arriscar, mesmo que seja um erro, pelo menos será um erro novo, aprende-se algo, mas talvez seja um acerto, talvez seja o acerto. Isso vale qualquer esforço, pois todo o sacrifício é recompensado quando conseguimos entender a hora certa, acompanhar o relógio etéreo das coisas que não conseguimos explicar, e depois, como prêmio, a indescritível sensação de estar no caminho correto pra nós, seja ele qual for, como o gosto de vento no rosto numa manhã de domingo.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

5 comentários:
Cris... nao sei nem o que dizer. Lendo seu texto eu tive a sensação de que estava vendo minha alma no espelho. Ao mesmo tempo que eu li cada palavra como se fosse minha propria consciência falando, senti um alivio, uma tranquilidade que eu estava precisando muito nesse momento de mudança que eu estou vivendo. Desde que tomei minha decisão que tenho estado ansiosa e empolgada com o novo. De uns dias para cá, necessariamente esta semana começou a bater aquele frio na barriga, a ficha começou a cair e lembrei dos laços que irão ficar e do medo que eu deveria sentir. Mas vc com seu post me fez enxergar novamente que nao devemos deixar as oportunidades passarem por nos porque talvez elas nao aconteçam novamente, e que devemos arriscar sempre. Tudo que vc disse é a mais pura verdade.
Me considero uma bruxa de Salém também viu? e vou tomar a homenagem pra mim. rsrs
Adorei de verdade te conhecer, vc é uma pessoa incrível e acho que nao te encontrei no caminho de meu "ponto de mutação" por acaso. Talvez tenha sido apenas para ler estas palavras nesse momento que eu precisava, mas eu quero que esta amizade dure.
Um grande beijo
Obrigado, Lica! Fico feliz por ter ajudado indiretamente, mesmo que pouco. Também gostei muito de te conhecer, depois de tantos anos de breves contatos virtuais. você tem um astral muito bacana.
Boa sorte com a mudança!
Cara, muita legal o blog, e o texto aí caiu numa hora boa pra mim tb. A seleção do seu playlist tá de arrasar, ótimo gosto musical! vi a apresentação no Moema na Quinta e fiquei impressionado com a qualidade do seu trabalho, nunca ouvi tantos covers tão bem interpretados, parabéns. com calma vou lendo tudo que tem aqui, já tá nos favoritos!
próxima quinta estarei no Moema com a turma e vou querer ouvir Smashing Pumpkings de novo!rs.
Abração!
Valeu, Gustavo! tentei caprichar na playlist,rs. Pode deixar que Smashing Pumpkings jamais sairá do repertório! até Quinta.
Abraços!
Nada e tudo a declarar...eu sou inocente!
Mas, eu me perdi no meio do caminho; agora me resta a prisão; antes fosse a forca,pois o suplício seria breve, não?
Bjo
Postar um comentário