Definitivamente não me sinto parte deste mundo do qual faço parte, e a cada dia, involuntariamente me pego mais distante. Os valores se inverteram de forma tão radical e coletiva que se tornou quase impossível provar a lógica das coisas em que acredito, e acredito em tudo o que todo mundo acreditava a dez ou vinte anos, mas hoje a virtude ganhou ares de defeito, a vulgaridade de sofisticação, o lugar comum nunca foi tão comum como agora e o que eu continuo acreditando ficou ultrapassado, "vintage" demais para a liberdade excessiva de que as pessoas necessitam hoje para serem felizes. Nosso corpo, nossa cultura, nossa música, bondade e pureza foram violentamente profanados, e não é preciso citar exemplos, creio que todos saibam do que falo.
Existe uma famosa passagem bíblica que diz: "Todas as coisas me são lícitas mas nem todas me convém. Todas as coisas me são lícitas mas não me deixarei dominar por nenhuma delas." — sabedoria milenar. Mas nos deixamos dominar por todas elas e optamos pelo caminho mais fácil, mas normalmente o caminho mais fácil é sempre pior.
Sempre que penso nesse assunto me lembro de um dos vilões dos Superamigos: o Bizarro — um clone defeituoso do Super-Homem que interpreta o sentido oposto das coisas, e é o resultado dessa sua imperfeição que o leva a ser um vilão, visto que em várias ocasiões ele apenas causa problemas por tentar agir como o Super-Homem, mas falha ao agir do modo oposto, graças à sua lógica 'bizarra'. Juntamente com uma versão bizarra da Louis Lane ele povoa um outro planeta, chamado Htrae com duplicatas imperfeitas de seres humanos — um planeta simetricamente oposto à terra, desde seu formato até o comportamento de seus habitantes, onde tudo acontece às avessas. Em um dos episódios o Super-Homem entrou no mundo bizarro e foi preso por ser normal. Bom, não sou o Super-Homem, mas já estou preso no mundo bizarro a muito tempo, tempo demais para minha personalidade, que nada arduamente contra a correnteza, e depois de alguns anos isso se torna bastante cansativo.
Não estamos falando aqui de assassinos, traficantes, "políticos" e ladrões apenas, estamos principalmente falando de nós mesmos, pessoas comuns "cheias de boas intenções" que perderam o foco, permissivas e acomodadas, vivendo cegamente a celebração de toda forma de mediocridade e se permitindo coisas demais em nome do bem-estar e da liberdade de expressão, e o resultado é que nos tornamos cópias vazias e distorcidas de quem poderíamos ser se tomássemos decisões melhores, por enquanto não vejo final feliz pra isso e a luz no fim do túnel foi apagada, provavelmente, por alguma turma de pagodeiros que passava na hora. Mudança sempre requer algum tipo de renúncia, seja no país, na sociedade ou dentro de nós mesmos, mas pouquíssimas pessoas estão dispostas a renunciar a algo para ter ou ser algo melhor, fazemos barganha com nossos vícios e condicionamentos nocivos porque no fundo não queremos perdê-los, queremos ter 'tudo ao mesmo tempo agora', sem ter prejuízos e sem ter que deixar nada pra trás, e como não podemos ter tudo, perdemos o melhor.
Sei que somos imperfeitos por natureza, mas ultimamente temos andado "imperfeitos demais", além da conta, usamos tão mal o livre-arbítrio que talvez seja melhor ficarmos sem ele por um tempo, e deixem Deus, a vida ou o planeta de fora dessa história, essa culpa é totalmente humana.
Criamos assim, nosso próprio “mundo bizarro”, e para os que vivem nele "tudo vai muito bem, obrigado", mas pra mim é como estar em outra dimensão, estranha e soturna, ou como naqueles filmes batidos onde algum vírus transforma todos em zumbis restando apenas um pequeno número de pessoas. Azar o meu.
Coloco-me contra essa “nova desordem mundial” e acho importante fazer isso, mesmo correndo o risco de parecer um adolescente rebelde que insiste em ser diferente apenas pra chamar a atenção. Sei que sou minoria, deslocado e dissonante, mas com o tempo, me fazendo as perguntas que quase ninguém se faz, ganhei segurança e clareza, impagáveis, conquistadas a um altíssimo preço mas que me fazem ter a certeza de que eu não estou errado, o mundo é que está.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
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3 comentários:
Estou por aqui, ouvindo I wear your ring e lendo tudo isso...é de arrepiar a tradução que vc fez de mim, do que sinto, dos meus pensamentos nas suas próprias palavras e eu fui lendo, assustada, adivinhando a próxima frase...um quase uníssono. Fiquei verdadeiramente perplexa...pois até agora não tinha muita certeza, por que, sinceramente, eu pensei que estava só. É estranho ter companhia. Vamos de Upper Room...that's ok, that's ok...
Valeu, amigo imaginário...como quando criança...once, twice... :)))
rsrs, got you, it's good to know, thanks.
Vcs estão é com frescura de quem vive pensando demais no que sente qd está com azia. O mundo é essa bosta mesmo e pronto, isso não é novidade nenhuma,o fato é que existe o sol e borboletas e o cheiro das flores e até pela noite existe a lua e o cheiro das flores, além das mariposas. E vcs estão reclamando de que? Isso é falta de Jesus no coração!
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