domingo, 30 de novembro de 2008

A primeira gota de chuva era grande e rápida, e atingiu sua pele como um choque, então começou a acordar. Logo vieram as outras, mas não correu pra se abrigar dessa vez, deixou que caíssem. Largou o que levava nas mãos, esqueceu o que tinha pra fazer, tirou os sapatos, caminhou até a areia e deixou a chuva cair. Enquanto a água escorria pelo corpo sentiu escorrer também a confusão e os problemas naquele momento, só ouvia a chuva forte, mais que seus pensamentos, dissolvendo rápida e violentamente suas ilusões mais bem construídas. Com a pele já dormente não havia mais diferença entre estar molhado ou não, entre ter alguma coisa ou coisa nenhuma: não era ninguém, não tinha nada, estava livre pela primeira vez, e tudo ao seu redor ficou pequeno comparado ao oceano em frente. Entrou na água devagar sem perceber a diferença entre a água e a chuva e quando juntou-se ao mar ficou grande como ele. Vendo o horizonte dali, se deu conta de que não era inalcançável e infinito como parecia: já estava em meio à ele sem perceber, como o futuro, e então, como num batismo solitário, mergulhou... e lavou sozinho todos os seus pecados.

4 comentários:

Liliane disse...

eu bem que precisava de um banho de chuva desses agora...

Anônimo disse...

Amo a chuva e amo tomar chuva. É como algo terapêutico pra mim. Me faz bem. Acredito ser mesmo afcionado por tempestades, chuvas, relâmpagos e trovões. Já entrar no mar, mergulhar, faz longíquos 7 anos desde a última vez.

Lice disse...

O texto é seu?

Cristiano disse...

7 anos é muito tempo sem entrar no mar...
Sim, Lice, o texto é meu, num dos "espasmos" de inspiração,rs...